O algodão é uma das mais antigas fibras têxteis do mundo, com vestígios de sua existência desde 3200 a.C na Índia, teve uma grande popularização mundial, apresentando diferentes variações em cor, textura, gramatura e qualidade em diversos países, foi comercializada de maneira global, sendo esta a fibra que mais veste o mundo no atual ramo têxtil (Pezzolo, 2007). Sua alta versatilidade em aplicações, baixo custo e longa durabilidade, a fez com que carregasse o título de fibra mais utilizada, sendo de tal maneira muito presente no vestuário infantil, feminino e masculino, aplicada em diversos segmentos, compõe diversos tecidos, como o denim, a malha e outros como o próprio tecido de algodão cru (Chataignier, 2006). O tecido plano “algodão cru” tem sua composição 100% algodão (CO) e é construído como uma tela 1x1 (um fio por cima e outro por baixo). Recebe a nomenclatura de “cru”, pois não ganha na etapa de coloração o acabamento úmido pós tecelagem, resultando de tal maneira em um tecido com a cor natural do algodão, que por não receber nenhum tipo de tingimento, apresenta uma textura áspera e característica sólida (Chataignier, 2006). Segundo Vasques (2011, p. 42), “a estamparia é um método que tem por finalidade imprimir desenhos coloridos ou não tecidos e malhas”. Entre os processos de estamparia contemporâneos, destaca-se o ecoprint. Trata-se de uma prática associada ao slow fashion, que privilegia a produção de peças exclusivas, de alta qualidade e baixo impacto ambiental, substituindo os corantes sintéticos por pigmentos naturais. A técnica Ecoprint (impressão botânica ou estamparia botânica) aplicada no tecido algodão cru do presente artigo, é um método de estamparia realizada apenas com vegetais, ou seja, toda a coloração é extraída de flores e plantas que contenham corante, como folhas, flores, caules, entre outros. Estes materiais “transferem seu pigmento pelo contato direto a superfície têxtil, não sendo preciso a extração do corante do fragmento vegetal” (Ismal, 2016). A técnica pode ser realizada por diferentes métodos, como a impressão a rolo, a tintura a frio ou a quente, a solar e a composta, permitindo inclusive a criação de estampas corridas. Dentro desse conjunto de práticas, há ainda o Hapazome, técnica de origem japonesa que consiste na maceração de folhas e flores diretamente sobre o tecido com o auxílio de martelo ou março, resultando em estampas orgânicas e únicas.
REFRÊNCIAS
ISMAL, O.E. Patterns from nature:contact print. Journal of the Textile Association, Madrid, jul.-aug., p.81-91, 2016.
CHATAIGNIER, Gilda. Fio a Fio: tecidos, moda e linguagem. São Paulo: Estação das Letras Ed. 2006.
PEZZOLO, Dinah Bueno. Tecidos: história, tramas, tipo e usos. São Paulo: Ed. Senac, 2007.




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